Domingo, 20 de Abril de 2008

DITADOS

 

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                                                         Ditados

                                                                                                                      

                                                                                                                       

                                                                                                                              

 

                  O  vale de Santarém é um destes lugares  privi-

           legiados  pela natureza,  sítios amenos  e deleitosos

           em  que as plantas, o ar, a situação,  tudo está  numa

           harmonia  suavíssima  e  perfeita:   não    ali  nada

           grandioso  nem  sublime,   mas    uma  como  simetria

           de cores, de sons,  de disposição em tudo quanto se

           vê  e  se  sente,  que  não  parece  senão que a paz, a

           saúde,  o sossego do espírito  e o repouso do coração

           devem  viver  ali,  reinar  ali  um  reinado de amor e

           benevolência. As paixões más, os pensamentos mes-

           quinhos,  os pesares  e  as vilezas da vida não podem

           senão fugir para longe.  Imagina-se por aqui o  Éden

           que o primeiro homem habitou com a sua inocência

           e com a virgindade do seu coração.

                 À  esquerda  do  vale,  e abrigado do norte  pela

           montanha  que  ali  se  corta  quase  a  pique,  está  um

           maciço  e  verdura  do  mais belo viço e  variedade.

           A faia,  o freixo,  o álamo entrelaçam os ramos ami-

           gos:  a  madressilva,  a mosqueta  penduram  de  um

           a  outro suas grinaldas  e  festões;  a congossa,   os

           fetos,  a malva-rosa do valado vestem  e alcatifam

           o chão.

 

 

 

            Normalmente, na Admissão, todos os dias, por volta das 8h 30m, fazíamos um ditado!  Na sala à esquerda, lá ao fundo. No colégio velho, na quinta das Encruzilhadas.

 

            Nem todos estavam ao mesmo nível de conhecimentos. Não falo das capacidades de cada um, falo do estado em que cada um se encontrava em relação à escola primária!

Uns tinham feito o exame da 4ª. classe em Julho, havia 2 meses. Estes estavam em vantagem, pois tinham lidado com estas coisas recentemente. Outros tinham feito a 4ª classe havia 1 ano, 2 anos… E havia ainda a Cremilde, que tinha transitado da 3ª. classe, directamente, para a admissão,  sem ter feito a 4ª. classe. Estava, pois, em clara desvantagem!

 

            Lembro-me que um dos primeiros ditados que fizemos, não o primeiro, foi o do texto acima transcrito!!!

 

Eu, por exemplo, apanhei 19  [dezanove] !!!

                                                                                                                          

Conta bonita… se se tratasse de classificação em valores! Mas o que eu apanhei foram 19 riscos, a lápis vermelho… dezanove erros!!! E, passe a modéstia, não fui dos que apanhei mais!

 

É que eu estava no 2º grupo e a perca de contacto com estas coisas destreinou-me, além de que os ditados naquele tempo faziam-se, digamos, de modo «directo», sem preparação. Ditava-se, contavam-se os erros, recebia-se o respectivo «prémio» e,  no fim, escreviam-se as palavras erradas, correctamente, um sem número de vezes!!! Quatro, no mínimo. Geralmente cinco.

Era a metodologia seguida… era a metodologia vigente!!!

 

Mais tarde, muito mais tarde, «descobri» que o ditado podia transformar-se numa actividade bem mais atraente, bem mais eficiente…

Quantas vezes eu exclamei: Oh! se eu soubesse isto naqueles tempos!  Mas, cada época tem os seus usos…     E, covenhamos, naquele estádio de conhecimentos a metodologia a seguir diferia, necessariamente da seguida no ciclo anterior. Este era de aquisição/consolidação, aquele de consolidação. Embora as fronteiras não sejam tão demarcadas nem tão estanques que não pudesse haver, particularmente na fase inicial do 2º ciclo, uma continuação de procedimentos aquisitivos! 

Voltando ao texto do Almeida Garrett[1] temos de convir que é muito difícil e muito longo. Vinte e duas linhas!

 

 

SócratesDaqui



[1] - Só, tempos depois, na Flul, ao analisar as  Viagens na minha terra, é que identifiquei este texto, que abre o capítulo X .

publicado por Aristófanes às 12:57

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